quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vontade do Mundo


Tento ler Casares mas não posso ficar
alheio as ruas noturnas do Centro.
Fecho o livro.
Não consigo passar ileso a estes
lugares que sempre trazem tanto dessa
nostalgia sem fundo e nem origem.

As crianças jogam bola nas
ruelas sem saída e as pessoas assistem
suas novelas nos casarios decadentes.
Os bares de esquina me secretam noites de boêmia
com suas luzes pálidas e sambas antigos.

Me incomoda também sentir na nuca a
pulsão de beleza com que me golpeia
a menina do banco de trás.
E ela desce no Estácio.
Eu já sabia.
Tão linda assim só poderia descer
no Estácio.

E é como se eu já tivesse vivido aquilo tudo
como se cada coisa fosse um pedaço
meu que vai ficando pra trás e me esvaziando
cada vez mais do pouco sossego.

Tudo gravita numa saudade estranha de
pulsar em cada molécula de cada coisa
que existe entre a Rua da Lapa e a Dias da Cruz.

Um comentário:

Adridous disse...

é poeta, qualquer semelhança não é mera coincidência ;)
beijoca!
dri.