
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
O Desejo como Coisa-Em-Si do Mundo(Ou Poema Para um Filósofo Alemão do Século XIX)

Basta a aparição de uma beleza
assaltar o meu olho
que eu me torno inteiro olho.
E então o desejo se ergue imponente
e rufla as asas e
estufa o peito e se lança com a
velocidade de uma flecha sobre o alvo.
Mas a milímetros de tocar a pele da coisa
ele se detém!
E suavemente qual um lençol ele
se estende e acoberta lentamente
o objeto contemplado...
É um momento de solidão o
que se revela
pois eu sou só com tudo o que vejo...
E é no silêncio do instante que eu percebo que
apenas existimos na coisa que desejamos.
assaltar o meu olho
que eu me torno inteiro olho.
E então o desejo se ergue imponente
e rufla as asas e
estufa o peito e se lança com a
velocidade de uma flecha sobre o alvo.
Mas a milímetros de tocar a pele da coisa
ele se detém!
E suavemente qual um lençol ele
se estende e acoberta lentamente
o objeto contemplado...
É um momento de solidão o
que se revela
pois eu sou só com tudo o que vejo...
E é no silêncio do instante que eu percebo que
apenas existimos na coisa que desejamos.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Singelo Poemeto

Para um primeiro amor que nunca vai lê-lo
Eu tinha 13 anos e o nome dela era Mirna.
Não sei porque sempre achei que
esse nome combinava com os seus olhos verdes.
Naquela época as meninas dessa idade
não eram essas mini-mulheres de
hoje em dia
elas eram mais parecidas conosco
os moleques
(até seu cabelo curto era de menino).
E foi com ela a primeira vez que tive febre
(nunca poderia supor que passaria
pela vida desde então sentindo uma
febre atrás da outra).
Mas eu era uma criança ainda e não
sabia o que era aquilo
achei que a morte se anunciava em cada coisa
-quando ainda não se entende o conceito
de amor é que sabemos que a sensação
dele é quase igual ao da morte-
mas a verdade é que pra mim a Mirna sofria
de um excesso de beleza que alimentava a
fome do meu olho e roubava a
fome do meu estômago.
Lembro da vez em que roubei sua borracha
e ela mordeu minha mão para
tê-la de volta e eu me apaixonei pelo gesto
e me encantei com o cheiro da sua
saliva nos meus dedos:
eu ainda não sabia o que era aquilo.
E quando nos escondendo no quartinho de entulhos
ela me deu um beijo e saiu correndo
e eu morri e voltei e morri e voltei
um animalzinho paralisado e tremendo de medo:
eu ainda não sabia o que era aquilo.
Mas quando no último dia eu olhei do portão
sua mãe a levando embora pela mão
até a esquina que a fez sumir
que eu conheci a indescritível sensação do
que é perder alguém no mundo...
e só aí então eu soube o que era aquilo:
só tive a ciência do que era amor depois do primeiro adeus.
Mas isso foi a 15 anos atrás e
de lá pra cá nunca mais pude supô-la...
só que nessa lenta noite de outubro me
veio uma vontade irresistível de apenas
saber se ela ainda está viva
se ela ainda está bonita e se é feliz.
Mas no amargo da impossibilidade só me
resta parir esse poema como se fosse uma prece:
um desejo absoluto que esteja
onde estiver ela possa dormir dentro
de um moroso acalento bom
e que estranhando a sensação da hora
ela nunca sequer imaginará que eu descobri
que desde a minha infância ela deixou
um sentimento escondido aqui
essa matéria-prima que empresta
força a esse poema feito para
ao menos por essa noite
guardá-la de qualquer cansaço da vida.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Do Adeus
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O Zahir

Uma fotografia cortada e
desfocada do seu sorriso:
uma fotografia mal tirada é
o que ficou.
Esse sorriso que vez ou outra
quando eu encontro em
uma estrela de cinema americano
me golpeia por dentro com
punhos de boxeador.
Sinto que o que ficou impresso no
suporte fotográfico também
se gravou ad eternum na
substância retiniana do meu coração.
desfocada do seu sorriso:
uma fotografia mal tirada é
o que ficou.
Esse sorriso que vez ou outra
quando eu encontro em
uma estrela de cinema americano
me golpeia por dentro com
punhos de boxeador.
Sinto que o que ficou impresso no
suporte fotográfico também
se gravou ad eternum na
substância retiniana do meu coração.
olha galega é que a primeira vez que me apresentaram ao seu sorriso eu mal podia imaginar que você viria a ser a minha fermina daza, a minha lou salomé com chicotinho, a minha elektra natchios com adagas sai, a minha intocada delgadina, a minha indistinta jeanne duval, os ossos da minha beatriz viterbo, a minha shabart gula na fotografia. e só posso lembrar e achar lindo, lindo e triste, de quando eu te perguntava porque você sempre dava pra trás na hora agá, e aí você ria aquele riso que era só seu, aquele abrir de lábios e mostrar de dentes que era uma arte, artifício, artimanha, que só você sabia fazer e que só servia pra anunciar a sua confissão triunfante: de que o maior prazer na sua vida era me provocar.
Para Arnaldo Antunes
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
A Aparição de Uma Beleza

Para Baudelaire
Ela parecia:
1)ter saltado de um
encarte de revista de moda
2)ter se destacado de um
outdoor de loja de roupa
3)lembrar uma princesa medieval
de um filme hollywoodiano
4)o ensaio do mês de uma
revista moderninha...
Duvidando da visão
olhei para todos os lados e
percebi que
como se só eu pudesse a ver
nenhuma das pessoas dormentes
olhava em direção a ela.
E foi quando na sua duvidosa concretude
ela se levantou e foi embora
eu concatenei e cheguei a conclusão de que
ela talvez não fosse nem mesmo a
carnação de uma imagem
que ela talvez não fosse nem isso...
ela ali
tão para além do que é uma beleza do cotidiano
bem que poderia ser a representação impalpável
de uma idéia pura.
Ela parecia:
1)ter saltado de um
encarte de revista de moda
2)ter se destacado de um
outdoor de loja de roupa
3)lembrar uma princesa medieval
de um filme hollywoodiano
4)o ensaio do mês de uma
revista moderninha...
Duvidando da visão
olhei para todos os lados e
percebi que
como se só eu pudesse a ver
nenhuma das pessoas dormentes
olhava em direção a ela.
E foi quando na sua duvidosa concretude
ela se levantou e foi embora
eu concatenei e cheguei a conclusão de que
ela talvez não fosse nem mesmo a
carnação de uma imagem
que ela talvez não fosse nem isso...
ela ali
tão para além do que é uma beleza do cotidiano
bem que poderia ser a representação impalpável
de uma idéia pura.
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