sábado, 6 de março de 2010

Como Devia Estar


Cheguei ao limite da vida comum.
Não quero mais ter a ver com
nada dessa rotina:
trabalhar trabalhar trabalhar
estudar estudar estudar
se aposentar para jogar damas na
praça esperando o AVC fulminante.

Como é que pode alguém
-quase na metade da vida-
ganhar esse salário medíocre e
ainda encontrar tempo pra escrever
essa poesia que não serve de nada?

Deveria mesmo era ter sido
um cientista ganhador do Nobel
um barão das drogas colombiano
um artilheiro da Copa do Mundo.

Mas que nada!
Queria mesmo era a vida de cinema:
cansado e ferido
-depois de ter sozinho eliminado
da face da terra dúzias de vilões-
ter as pessoas olhando aquelas
Tv’s enormes das Casas Bahia
exibindo todas ao mesmo tempo
eu e a Zhang Ziyi num último beijo
antes de subirem os letreiros.

Um comentário:

Marcos Vidal disse...

E eu ainda me pergunto:pra que estudei tanto?
Amei a sua reflexão sobre essa hipocrisia babaca que inverte os valores com tanta propriedade.Começo a repensar se o quê faço tem a ver com o meu desejo ou com o futuro escolhido por mim?
Não sei, só sei que me senti espelhado nesse seus versos e mais vulnerável quando me vi retrato sem máscaras nesse poema.