terça-feira, 13 de agosto de 2013

ensaio sobre a cor vermelha

te imagino bruxa, nua, branca. os
cabelos amarrados como os de
uma camponesa num fotograma de
pasolini. o teu rosto de perfil na
contraluz das janelas antigas,
estampado nas tapeçarias bucólicas
das antigas casas lusas a beira mar.

dentro da estufa enluarada as
folhas em prata, e o diabo sorrindo,
enquanto você me convida pro
teu corpo preso ao silêncio do
orvalho e do vidro, esse corpo de
um tempo distante:


odalisca de ingres no jardim botânico.

Um comentário:

Júlia Luzes disse...

Que bela poesia, querido!