sábado, 14 de dezembro de 2013

ma flûtiste française

“de que adianta vários portos
pra um barco sem âncora?”
você me perguntou sem me olhar
“você é excepcional em desfazer
todos os laços possíveis”

essas sentenças foram epifanias
de onde eu via cada nuvem passar
sobre você: tudo se tornou tão
nítido naquela hora

teus olhos egípcios voltaram a champs-élysées
(quem sou eu para competir com paris!)
e fiquei aqui morrendo de fome da
impiedade crua das tuas unhas mal pintadas

naufragando sempre em outros cais
através das madrugadas lentas
vou lendo teus bilhetes em francês

esperando o efeito de mais um rivotril

Um comentário:

Edimarcio Medeiros disse...

"Naufragando sempre em outros cais", fiquei encantado com este verso.

A atmosfera do poema na deriva
com essa rapidez nos desenlaces - como seguindo o movimento triste e rápido de uma flauta.

Muito bom