sábado, 2 de agosto de 2008

Ninfeta(mina)


Por ser tão antigo já aos vinte e seis,
me assola essa veemente culpa
de te enxergar nesse desejo morno:
você assim, com apenas metade,
ou um pouco mais,
do meu desvanecimento aqui no mundo.
Guardo o olhar escondido,
mas caído sobre o jogar dos seus cabelos,
única coisa sua que se pode afirmar ser já de mulher.
Mantenho os olhos atocaiados em minhas pálpebras,
inertes no seu corpo ainda magro,
e que segue emparelhado com ônibus preso ao engarrafamento.
Seu caminhar lento,
os traços irrepreensíveis da sua maquiagem,
os seus trejeitos de pretensiosa mulher feita,
só denunciam a altivez de quem sabe,
que ainda crescente,
já consegue ser refúgio do desejo dos tolos.

Um comentário:

Mariana Tiné disse...

Nossa Luís,
Seus comentários sempre são lindos e me fazem refletir muito mas, dessa vez você me surpreendeu de tal forma que fiquei emocionada de verdade!!!
Obrigado pelo carinho e conselhos de sempre, tenha certeza que você é uma das pessoas que mais gosto de trocar confidências sobre esse assunto em questããooo.

Beeeeijos