sábado, 30 de agosto de 2008

Banzo Como Herança


Deixarei para meu filho,
se um dia o tiver,
esses olhos tristes como herança,
esse sem jeito ao sorrir,
e esse coração carente de atenção.
Deixarei as folhas amassadas
com esses poemas desprezíveis,
e os livros de história da arte, de filosofia,
Shakespeare e Garcia Márquez...
(mas espero que não os leia se quiser a vida mais leve...)
e deixarei essas coleções de objetos sem valor,
essas coisas de um homem melancólico.
Deixarei para meu filho,
se um dia o tiver,
esses amores efêmeros, essa boca calada,
e o amor masoquista pela beleza do mundo.
Deixarei entalhado na madeira do seu berço
a memória desses dias despetalados,
o romantismo descrente, e a inconstância da auto-estima.
Deixarei tudo isso que é meu
sob a luz clara do quarto azul ou rosa,
p’ra que ele possa a tudo ver,
e escolher não ser nunca em sua essência,
a imagem e semelhança do pai!

3 comentários:

Mariana Tiné disse...

Amore mio...
Blog entrega siiiim!!!
Olha o seu se entregando tmb!!!
hehe

Não tem como ficar nostálgico nesse tempo chuvoso e com mil recordações e esperanças no coração, né????

Adoro seus comentááários e seus textos sempre mega profundos e intensos como vc!!

Beijocaaaaaaaaaasss

Karla Moreno disse...

sorte nossa que existe a poesia MESMO querido Luis!
sem ela nao sei o que seria de mim, nao sei como poderia me refugiar, me traduzir, me refletir, me apoiar. E como dizia Clarice.. "enquanto tiver perguntas e nao houver respostas, continuarei a escrever."
Sim, pque escrever é lindo, quando vem do coração! =)

mil beeeijos.. e lindíssimo texto :D

Karla Moreno disse...

Ah.. coloquei esse trecho de Rilke embaixo da minha foto, na lateral!


=))