sexta-feira, 19 de junho de 2009

Da Vida Que Nós Perdemos


Em dias cotidianos
tudo me transborda:
pessoas carros barulhos e tédios...
o ideal era nunca ter que trabalhar.

Queria mesmo era ser as
manhãs das casas envelhecidas
queria estar na madeira desgastada das
janelas sonolentas das
ruas melancólicas.
Estar sob os pêlos do cão que
dorme sobre o musgo do
cimento rachado do quintal vazio
estar sentado na cama da menina que
troca de roupa num quarto que
pulsa dentro da claridade branca das
primeiras horas matutinas.

Queria todo dia a lentidão de um domingo:
raios de sol furando as árvores
escorrendo pelos tetos dos
postos de gasolina
lambendo a umidade do paredão das
casas arruinadas sob um cobertor de
luz que não existe em dia de semana.

O ideal era nunca ter que trabalhar...

Um comentário:

fm disse...

ai,ai... o ideal...!... e vc pensa assim, mesmo antes de se tornar professor, ... rs... , ai, como eu queria não ter q trabalhar, corrigir miilhões de provas, cortar meu coração com notas baixas... me apaixonar por minhas crianças e saber q daqui a poquinho elas já vão ter me esquecido!...
...Porém tem uma coisa q eu aprendi na profissão: "professor trabalha com o possível, e não com o ideal"... então prepare-se amado, a jornada é longa, e muitos vão ser os dias que iremos recordar esse seu justo e belo poema!...
bjokas, te amo!